sábado, 22 de setembro de 2018

O capitalismo é melhor, doa a quem doer

Se tem um sistema econômico mais vilipendiado e, ao mesmo tempo, menos compreendido na atualidade, esse é o capitalismo. E aqui falo especificamente do capitalismo tendo o livre mercado como o seu aspecto mais comum e responsável por ser a mola propulsora da economia de vários países que se destacam na atração de investimentos estrangeiros, expansão do mercado de trabalho e, consequentemente, desenvolvimento econômico (que abrange tanto o crescimento econômico como o melhoramento da educação, saúde e o campo social). Você pode conferir quais são esses países, e qual a situação do Brasil, por meio do índice de  liberdade econômica, divulgado todos os anos pelo Heritage Foundation e que o jornal Gazeta  do Povo tem parceria: https://especiais.gazetadopovo.com.br/economia/ranking-de-liberdade-economica-2018/.

Mas voltando ao tema do início do texto, o capitalismo se tornou o grande vilão para muitas pessoas, ainda que elas não entendam o que ele de fato significa. Trocando em miúdos, o sistema capitalista está voltado para o lucro, em que cada pessoa trabalha para ser remunerada, ou preside uma empresa esperando que ela se torne lucrativa cada vez mais, ou faz investimentos aguardando um retorno maior do que o valor que foi investido. Esse conceito pode ser um pouco simplista, no entanto, é mais fácil compreender quando dizemos que o capitalista se interessa pelo crescimento de sua renda individual. E talvez seja esse conceito que faz com que as pessoas que não entendam o capitalismo, o tratem como algo prejudicial à sociedade e, por isso, se recusam a aceitá-lo como sistema.

O problema, como tão bem Ludwig von Mises pontuou, é que se você não aceita o capitalismo, só lhe resta o socialismo como opção, e não há uma terceira via. O socialismo é um sistema não apenas econômico, mas principalmente de poder. O Estado passa a ter o controle de fato sobre a economia, não há trocas voluntárias - que é o que move o livre mercado -, chegando ao ponto de não haver mais propriedade privada, já que o Estado passa a ser o seu detentor. Em suma, a busca pela igualdade econômica de renda no socialismo fará com que todos se tornem mais pobres e miseráveis, enquanto bancam o luxo daqueles que estão no poder - como no livro Revolução dos Bichos, de George Orwell: "Todos os animais são iguais, mas há alguns animais que são mais iguais do que outros."

No capitalismo, é óbvio que há um interesse particular por trás de toda venda ou comércio, afinal, o vendedor está mais interessado em possuir o dinheiro do cliente do que o produto que lhe vende. Assim como há um interesse maior do comprador em ter o produto do que o dinheiro que ele utiliza para adquiri-lo. É essa troca sadia que faz com que todos saiam ganhando no capitalismo. Alguns podem dizer que o capitalismo traz uma consequência um pouco danosa para as relações sociais, que é o consumismo. E de fato, isso pode acarretar sim. Mas serve para provar que não há sistemas nem sociedades perfeitas; busca-se apenas os melhores sistemas para se conviver. E ainda assim o capitalismo se faz superior ao socialismo.

No livre mercado, há uma vontade por parte do empresário em fazer com que as vendas de seu produto/serviço cresçam sem perder a qualidade. O empresário que se preocupa apenas no lucro sem dar a devida atenção à qualidade do que é ofertado, estará assinando sua declaração de falência, haja vista que o consumidor irá procurar outros ofertantes para adquirir o que ele deseja, com a qualidade que ele exige. É por isso que no livre mercado, o verdadeiro patrão é o consumidor. É ele quem diz ao vendedor ou empresário se esse negócio irá continuar dando frutos ou fechará as portas. A concorrência sadia é uma consequência do capitalismo, pois é ela quem possibilita ao consumidor escolher de forma tranquila e sem pressão qual o melhor lugar onde adquirir o que deseja. A mensagem que o consumidor passa ao dono do negócio é que se ele está comprando é por que a empresa correspondeu às suas expectativas. Com base nisso, o empresário se posiciona para agradar ainda mais o cliente e melhorar ainda mais a sua oferta. 

No Brasil, temos poucos lampejos de liberdade de escolha e comércio, o que o faz estar longe do ideal para ser chamado de país com economia de mercado ou país capitalista. O que temos no Brasil é o corporativismo, que muitos chamam também de "capitalismo de laços", onde o Estado detém o controle do câmbio e das barreiras econômicas ao investimento, tendo como um possível financiador de desenvolvimento agregado o BNDES e os bancos que fazem financiamento de crédito (sejam eles imobiliários ou comerciais), conquanto apenas aqueles que possuem a influência política suficiente é que poderão se tornar os "campeões nacionais" do mercado. As agências reguladoras no Brasil também são um grande entrave para a liberdade em se abrir ou manter empresas. Tais agências acabam beneficiando mais os dinossauros, que já estavam na ativa quando o órgão foi criado, do que de facto fiscalizar todas com isonomia. A burocracia vem no mesmo pacote com a criação da agência. Reiterando, o Brasil está debaixo de um corporativismo e não de um livre mercado.

Isso confundia até mesmo a minha sogra, professora de matemática. Ela cria piamente que vivemos num capitalismo, mesmo sem nunca ter lido nada sobre o que é esse sistema. Da mesma forma, pensam assim boa parte da população, principalmente a população que vive do assistencialismo governamental e que se agarra no paternalismo político. Muitas dessas pessoas são doutrinadas por políticos e partidos de esquerda a não confiar no empresário ou no empregador, pois (dizem eles) esses só estão interessados em sugar o empregado e possuir ainda mais lucro. Como já expressei no início do texto, o capitalista sempre estará interessado no crescimento de sua renda pessoal, porém isso não quer dizer que as pessoas que trabalham para ele serão sugadas até a alma. Pelo contrário, o empregado que não apenas desempenha seu trabalho de forma honesta e digna, que não se acomoda com o status quo da sua profissão e sua educação, mas que procura se especializar para quem sabe um dia chegar a um posto mais alto na empresa ou abrir seu próprio negócio, estará sabendo como utilizar o capitalismo em benefício próprio também. O capitalismo não é um jogo de soma-zero, onde somente um lado ganha. 

Por incrível que pareça, quem mais gosta de marginalizar o capitalismo são os que mais fazem uso dele, seja para viajar a países capitalistas, seja para comprar produtos desenvolvidos por países capitalistas, seja para desfrutar do carro que o papai ou a mamãe comprou para ele ir à faculdade. Como diria Mises, em seu livro A mentalidade anticapitalista: "O anticapitalismo só se mantém em evidência por viver às custas do capitalismo." E enquanto o Brasil não der lugar ao livre mercado, estaremos refém de uma mentalidade atrasada, intervencionista e corrupta.


Manipulação acadêmica do senso crítico

Um dos problemas da juventude que está na faculdade é o não desenvolvimento do próprio senso de análises críticas sobre determinado tema. Professores têm repassado aos seus alunos que não se deve pesquisar ou estudar assuntos por conta própria. O professor é que sabe melhor do que o aluno o que ele precisa aprender e ler. O resultado é o que Thomas Sowell expõe em seu livro Fatos e Falácias da Economia, mais especificamente no capítulo sobre Fatos e Falácias Acadêmicos: "Os alunos que atravessam a faculdade sem nunca ter  confrontado uma visão de mundo muito diferente daquela do conjunto restrito de seus professores têm pouca oportunidade de desenvolver a própria capacidade de analisar argumentos conflitantes - como terão de fazer quando deixarem o mundo enclausurado do campus."

Para aqueles que já desfrutam do autodidatismo, é fácil perceber quando estão diante de alguém que é apenas um depósito de informações ou notícias. Este cidadão é aquele que acredita, de forma inicialmente inocente e depois cega, em tudo o que seu professor lhe ensina ou informa, e com base nisso, ele (o aluno), tenta reverberar o conhecimento limitado que aprendeu para todos com quem convive. Esse hábito pueril de aprender é o que tem sido a regra em grande parte dos cursos universitários, chegando a invadir mesmo o ensino básico e médio.

Um certo dia, ao ouvir uma jovem do curso de Nutrição expor algumas informações sobre alimentos com agrotóxicos, em sua conclusão da explanação ela fez questão de lembrar sobre uma lei que estava para ser alterada, de forma a beneficiar aqueles que utilizam tais defensivos químicos - o que para a comunidade de nutricionistas e ambientalistas seria afrontoso. Ela falou com propriedade que essa lei seria terrível para a população e esperava que alguém vetasse a sua promulgação. Em um dos momentos de tomada de fôlego, eu questionei se ela já tinha lido essa nova lei, para estar falando com tanta certeza sobre os pontos elencados. De bate pronto, ela disse não, mas que foi informada por uma professora e por aquilo que lera nos jornais (o resumo do resumo). Mas a lei mesmo, ela não leu. 

Ou seja, a nobre aluna é um exemplo do que grande parte da classe estudantil é nos dias de hoje: pessoas que se tornam em um celeiro do que professores e jornais propagam e que, muitos motivados pela luta de uma causa (seja ela ambiental ou social), não procuram escutar o pensamento contrário ao delas, conhecer as visões opostas, para aí sim poderem formar uma verdadeira opinião sobre os fatos.

Alguns podem dizer que fazer isso para todo assunto é inviável, porém o fato de ser inviável não quer dizer impossível - e o aprender sempre é possível. O médico que só entende ou lê sobre saúde é tão medíocre quanto o advogado que só lê sobre assuntos jurídicos. Da mesma forma, o aluno de música que só se aprofunda em temas artísticos é tão medíocre quanto o aluno de engenharia que só sabe fazer cálculos e prefere viver numa bolha acadêmica. É a mediocridade do ensino que tem feito tantos alunos se tornarem presas fáceis para o professor militante de uma causa.

Para o professor militante, é muito mais desejável ter uma classe que não questione do que a do tipo "bereana", e caso algum aluno possua um pensamento contrário ao do professor, aquele muitas vezes será vítima de perseguição, chacota e deboche por parte do docente. É comum ver isso quando um professor é crítico do capitalismo e morre de amores por Marx. Boa parte de suas aulas serão enviesadas para que ele pregue aos alunos sobre os males do capitalismo e os benefícios da luta de classes, por mais que fique tudo na teoria e ele não consiga dar um único exemplo onde os sistemas que possuíam o marxismo como raiz (dentre eles, socialismo e comunismo) deram certo. Mas vai o aluno, influenciado por um pai ou algum parente sobre os escritos de Mises ou Hayek, confrontar o professor sobre os absurdos e os contraditórios ensinados, pra ver se ele (o aluno) não será agora alguém marcado para repetir o ano.

Falando nisso, é muito interessante que a universidade - que deveria ser o lugar do debate e do confronto de ideias - tenha se tornado o local do pensamento único e totalitário. E qualquer que se desvie dessa forma de ensino, logo enfrentará a "fúria dos deuses" da docência e do Diretório Estudantil. Um aluno negro que seja contra o sistemas de cotas será muito mais ridicularizado e agredido do que um aluno branco que pense o mesmo. Uma mulher que seja contra os movimentos feministas dentro da universidade será muito mais enxovalhada do que um homem que pense o mesmo. Um aluno homossexual que se posiciona contra a luta vitimista fomentada por movimentos LGBT dentro da universidade será muito mais ofendido do que um aluno heterossexual que pense o mesmo.

O fato é que a universidade tem formado bolhas em seu próprio ambiente, onde só é permitido um único tipo de pensamento. O lugar onde deveria haver tolerância, face ao diferente, tornou-se um dos ambientes mais intolerantes para o livre pensar e a liberdade de expressão. E são essas universidades e professores que tem parido alunos que acreditam em tudo aquilo que o docente ou o jornal lhes fala simplesmente porque possuem um aparente sinal de propriedade e conhecimento no que expressam.

A autoeducação e o autodidatismo passa longe desses ambientes. Não é à toa que o decoreba tem pautado se o aluno está preparado ou não para as provas e seminários a serem apresentados. E ainda dizem que somos o "país da educação". Pelo contrário, está mais para "deseducação".  

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Universidade pública não é zero oitocentos


Há um falso conceito em nosso meio que diz que "aquilo é público pois é de graça". Isso tem uma conotação maior quando se refere especificamente ao ensino universitário público. Muitos estudantes creem piamente que se não está saindo dinheiro todo mês de seus bolsos ou dos bolsos de seus pais para custearem o curso universitário, então é por que o curso está sendo de graça. O dito aluno por um lado está certo, no que diz respeito a, por não pagar diretamente, achar que o curso está sendo gratuito - esse é o lado da fantasia. Mas, por outro lado - que é o lado da realidade - ele não percebe que qualquer universidade pública é custeada pelo dinheiro dos pagadores de impostos, o que nesse caso inclui os pais do aluno ou o próprio aluno (caso trabalhe). 

Em suma, nem sempre o que é tachado como público, é de graça. Como Milton Friedman dizia: " Não existe almoço grátis" (nem todo mundo faz filantropia ou dá caridade). E quando o assunto é educação pública, torna-se um ledo engano achar que não se está pagando nada, pois visualiza-se apenas o tipo de pagamento direto, e não os indiretos - taxas, impostos de todos os tipos e qualquer outro tributo que venha com a palavra eufêmica chamada contribuição.

Talvez por isso o nobre estudante pense que pode passar o tempo que for preciso na universidade para se formar, já que ele não está pagando diretamente o curso.

O estudante mal sabe que o gasto que sai dos cofres do governo para custear sua faculdade pública é quase 90% (noventa por cento) mais do que é gasto com um aluno de faculdade particular que utiliza Fies.

Tal visão medíocre do que é público transforma o estudante em uma presa fácil para propagandas políticas populistas. Aquelas do tipo "diga não à reforma trabalhista", "vamos garantir o acesso de alunos a mais universidades públicas", "diga sim às cotas" e por aí vai. Propagandas que são feitas justamente para quem não pesquisa sobre os fatos, mas que apenas aceita de bom grado, devido à propaganda ser como uma coceira nos ouvidos dos desavisados.

Cada vez que alguém confunde a esfera do que é público, a tendência é se criar mais indivíduos - até mesmo aqueles vergonhosamente graduados - que reivindicam todo tipo de privilégio, com capa de ser direito, para saciar os seus desejos mais ignóbeis e desproporcionais. Assim como sai desse mesmo grupo aqueles que, para qualquer ameaça que sintam na sua profissão, exigem uma lei para impedir a concorrência e a competição sadia.

No fundo, o estudante que pensa ter o seu curso de forma gratuita mostra-se um inútil para o desenvolvimento do seu próprio país, ainda mais por ele mesmo se enquadrar como um aspirante a defensor de mais intervencionismo estatal e de todo tipo de política pública que insira uma dependência maior do Estado nos aspectos da vida civil.

A dica para alguém que pensa assim é: ser menos arrogante e prepotente em relação ao conhecimento que possui; procurar estudar as falácias econômicas sobre educação; estar aberto a rever seus próprios conceitos, principalmente quando eles se mostrarem totalmente absurdos quando confrontados com a realidade; e parar de propagar aos quatros cantos que o serviço A ou B é de graça.

O abandono da ignorância acadêmica começa pelo apego à instrução da realidade. Fora isso, o estudante será mais um na multidão de tantos tolos.

Cultura do diploma


Volta e meia vemos pessoas almejando um diploma universitário para fazer aquele concurso que paga mais, ou para dar um incremento no salário atual, ou para apenas exibi-lo a quem quer que apareça perguntando o que ela faz da vida.

É importante frisar que vivemos uma cultura ao mesmo tempo medíocre e acomodativa, em que possuir um diploma traz o status de ser alguém, independente do que seja feito com o conhecimento adquirido - se é que se adquiriu algum.

No Brasil, por não haver tanto espaço para o empreender ou o desenvolvimento de atividades individuais e autônomas e que se pague bem, muitas pessoas vislumbram o funcionalismo público como a salvação de todos os problemas. E então se dedicam a uma carreira que pague 67% a mais do que se paga no setor privado. O resultado compensa o esforço, ainda que o trabalho não tenha nada a ver com o curso de formação na faculdade.

É comum ver pessoas que, mesmo já concursadas, fazem um curso universitário para granjear um cargo público que pague mais do que o atual. E daí, perpetua-se a cultura do diploma com o objetivo de ascender na carreira pública.

Há jovens e adultos que entram no curso sem planejar o que fazer depois que se graduarem. Muitos se graduam, mas por não ter segurança no mercado de trabalho, acabam perpetuando sua estadia na faculdade por mais alguns anos, através de mestrados, estendendo a doutorados. O resultado é que esse estudante se reserva ao conhecimento puramente acadêmico, sem nunca ter colocado em prática no mercado o conhecimento adquirido. Muitos se tornam professores da mesma faculdade em que se graduaram e se doutoraram; ensinam alunos jovens sobre as teorias do que outrora estudaram, mas que nunca conseguiram colocar em prática no mundo fora do campus. Mas o importante - na cabeça deles - é que todos devem chamá-los de doutores.

A cultura do diploma traz alienação e mediocridade a quem não sabe por que está fazendo um curso de graduação. O jovem se aliena por achar que um canudo na mão o torna mais superior do que o que não tem. Ele pode se tornar boçal e soberbo, querendo dar carteirada - algo bem comum quando o curso é Direito ou Medicina - em qualquer lugar onde seus desejos não possam ser imediatamente atendidos. É interessante, pois a mediocridade pode vir tanto da soberba como da suposta humildade.

O estudante se torna medíocre quando confunde a condição de apenas ter um diploma como o fim último de sua vida e, por isso, não procura se especializar na área ou não continua seus estudos (mesmo que de forma descompromissada). É o medíocre quem utiliza o diploma apenas para fazer um concurso daqueles que é aberto para qualquer área de formação e cujo cargo não fará com que ele ponha em prática o conhecimento adquirido do curso em que se formou. É o medíocre quem diz que ter diploma é ser alguém na vida. O medíocre fará de tudo para dar um valor a mais ao diploma conquistado e não ao conhecimento que obteve.

A cultura do diploma tenta atingir qualquer pessoa com aquela famosa pergunta: "o que você faz da vida?". A pergunta espera uma resposta voltada mais para a atuação prática do curso em que se graduou do que em relação ao interesse sobre a importância da atividade que a pessoa executa. Não importa se a pessoa se formou no curso X ou Y, mas agora é dona de casa e educa os filhos no lar. Não. Não é isso que agrada os ouvidos do que pergunta. O que interessa é se a pessoa está trabalhando como contadora em uma empresa ou economista em uma corretora ou como gestor de contratos em uma multinacional. A cultura do diploma é medíocre por valorizar mais o empregado de uma grande empresa com todos os seus títulos e certificados do que o pai de família que recusa uma promoção - tendo que trabalhar mais horas - para ficar com sua esposa e educar seus filhos.

A cultura do diploma é uma praga que lhe diz o que você deve fazer sem levar em consideração o por que fazer. A cultura do diploma não é uma coisa boa nem tampouco exemplar, já que lhe trata apenas como um depósito de regras e normas. A cultura do diploma é o combustível dos medíocres, portanto não seja mais um.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

Salário mínimo sem o mínimo de liberdade

É sempre a mesma coisa quando se ouve falar sobre aumento do salário mínimo. A maioria das pessoas possui uma euforia diante de tal notícia. Creem que agora poderão comprar mais itens na sua feira mensal, ou que poderão fazer aquele financiamento tão sonhado, ou que poderão matricular seus filhos naquele colégio de referência, entre outras falácias.

Infelizmente, esse castelo de cartas vem abaixo assim que o novo salário entra em vigor. Os preços nas prateleiras de supermercados aumentam junto com o salário mínimo, pois há uma elevação no valor dos encargos trabalhistas a serem pagos pelo empregador. Da mesma forma acontece com outros setores: industrial, aviação, educacional etc. O aumento dos preços de produtos e serviços é feito para contrabalançar o aumento do salário mínimo. Isso é normal no campo econômico. O anormal é as pessoas ainda, em pleno século 21, acreditarem que o seu poder de compras irá aumentar junto com a elevação do mínimo salarial.


Com esse aumento, vem de carona o aumento de impostos e tributos a serem pagos ao Estado. Aqueles descontos na folha de pagamentos (Previdência e Imposto de Renda, são exemplos) também se elevam, já que estão atrelados ao aumento do salário mínimo.


Ou seja, com essas observações, já deve ter ficado claro que, para aqueles que estão na ativa do mercado de trabalho, o aumento do salário mínimo não faz muita diferença em suas vidas, já que continuarão com o mesmo poder de compras anterior, isso se não diminuir. Mas tem uma situação ainda pior que é para aqueles que estão desempregados, com ou sem experiência no mercado.

Com o aumento do salário mínimo, o empregador deixa de contratar, pois lembre-se que não é só o salário que está se elevando, mas sim todos os outros encargos que dele advém (décimo terceiro, férias, INSS, IR etc). O empregador pode estar pagando o mínimo salarial ao empregado, mas na folha de pagamentos ele está pagando o dobro, senão o triplo desse valor. Para ele, é menos pior manter os que já estão empregados –  mas não aumentar sua produção – do que contratar um novo funcionário, com riscos de que o mesmo não desempenhe bem a função e tenha que demiti-lo (tendo o empregador que, dependendo do período trabalhado, ainda pagar seguro-desemprego e/ou outras despesas).


Temos o caso também daqueles que não possuem nenhum tipo de experiência no mercado. Para esses, o mercado se fecha ainda mais, principalmente por ter que remunerá-los com o mesmo salário de alguém que já possui anos de experiência na função. Tais pessoas podem acabar na informalidade – e ainda assim acabam sendo tratados como ETs, só por não serem acobertados pela tão idolatrada CLT.


Na verdade, a própria CLT causa o transtorno de que estamos falando quando impõe que as pessoas, mesmo sem experiência, devem receber a mesma remuneração em relação a outras com muito mais experiência. Tal situação é estúpida e nivela por baixo as condições de trabalho. A meritocracia parece só valer para o funcionalismo público e, mesmo assim, só até o momento da aprovação no concurso.


Quando se impõe um mínimo salarial a ser pago, acaba não se levando em consideração as diferenças de trabalhos a serem executados, ou à qualificação para tal função, ou ao local geográfico onde se irá trabalhar. Com isso, forma-se a mediocridade laboral. Quem é o iniciante que se esforça para ser melhor do que já é, se no fim do mês ele vai ganhar o mesmo salário de alguém que possui anos de experiência na mesma função?


Milton Friedman dizia que “erramos por julgar as políticas públicas por suas intenções, e não por seus resultados”. E, de certa forma, o salário mínimo cai nessa mesma retórica. As pessoas se alegram com a notícia de aumento do salário mínimo apenas por julgarem as intensões utópicas dos planejadores orçamentários, mas não atentam para os resultados caóticos que tal aumento traz. No dia que acordarem desse sono, quem sabe procurarão exigir mais liberdade em negociarem suas remunerações em vez de confiar nas intensões diabólicas promovidas pelo Estado, com a bênção da CLT. 

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

A lei que muitos utilizam sem entender


A lei da demanda e da oferta é essencial para compreender como se comporta a oscilação dos preços de produtos e serviços. Insistir que o Estado seja o agente controlador de preços é redundar nos mesmos erros históricos da Rússia estalinista, dos Estados Unidos em seus controles de preços de aluguéis de imóveis, e no Brasil em fins dos anos 80 no congelamento de preços de mercadorias na era Sarney. Entregar tal função a um planejamento central governamental, achando que ele é a solução para os problemas econômicos, é como estancar o rombo no casco do navio com explosivos em vez de betume.

Se um produto está escasso e a procura aumenta, é justo e moral ao vendedor aumentar o valor de venda a fim de contrabalançar com a sua demanda, enquanto que ao cliente é dado o benefício da escolha entre pagar o que se oferece ou não. Caso não haja compradores, o vendedor deverá agir com lógica diminuindo o valor ofertado até uma margem em que seja razoável para o consumidor pagar para tê-lo. Se o Estado entra como um agente que estipula o preço “justo” a se pagar, estará contribuindo para dois possíveis cenários caóticos da economia: excedentes e escassez.

As pessoas compram e vendem, pois os preços são o reflexo do valor que damos às coisas. Você só compra o vestido ou o carro novo por necessitar tal produto ou por querer esbanjar. E o vendedor só lhe vende, pois ele está necessitando do dinheiro para obter seu lucro. O verdadeiro comércio é feito de atos voluntários por pessoas que valoram o que necessitam. Quem melhor regula a demanda e a oferta é o próprio mercado na figura de seus agentes, os consumidores, mas parece que o Estado não permite que aprendamos a negociar por conta própria. O controle de preços não se mostrou viável em nenhum lugar onde foi implementado. Na Venezuela, foi feito semelhante com o barril de petróleo até estourar no que é visto hoje. Esse é o começo para as recessões econômicas. Na cabeça dos líderes estatistas, liberdade é um conceito que não se aplica aos governados.

Muitas pessoas acreditam que vivemos no Brasil debaixo de um sistema capitalista, em seu sentido puro (ainda que elas mesmas não saibam o que seria isso) e, por causa desse equívoco, o capitalismo acaba se tornando o patinho feio da história. É importante salientar que o capitalismo a que me refiro é aquele derivado do livre mercado, como tão bem pontuado pelos liberais clássicos, dentre eles Adam Smith. O que temos no Brasil é uma deformação, um engodo, uma falácia – algo denominado de corporativismo, também comumente conhecido como “capitalismo de laços”.

O livre mercado, pelo contrário, possibilita que cada indivíduo realize trocas voluntárias e favoráveis a cada um que está interessado em adquirir produtos e/ou serviços. No corporativismo há um conluio entre empresas e o Estado, e essas empresas, ao quererem manter o monopólio daquele determinado setor, recorrem ao Estado, na forma de suas agências reguladoras ou políticos com certa influência para legislar em benefício tanto próprio quanto do empresário interessado. O resultado é que nessa transação oculta, o consumidor sai como o maior prejudicado, haja vista que sua liberdade de escolha é descartada.

Exemplos disso podemos ver no caso recente do Uber, em que sindicatos de taxistas agindo com interesse exclusivo de monopólio agiram politicamente para que o aplicativo, se não fosse terminantemente proibido no país, fosse “regularizado”. O problema é que essa regularização não é visando o benefício do consumidor. Tal argumento é usado como cortina de fumaça. O interesse real é que aqueles há mais tempo no mercado – no caso, os taxistas – não tenham seus negócios “ameaçados” pela inovação. Em vez de melhorarem seus próprios serviços, eles optam por manter a defasagem e o atraso, obrigando a população a conviver com a obsolescência e o comodismo dos motoristas. Há uma demanda por melhores serviços, mas o atendimento a ela esbarra no corporativismo de tais empresas e no gigantismo estatal por mais protecionismo e leis que impeçam a livre concorrência.

De um modo direto, enquanto o Estado não diminuir suas atividades na economia, continuaremos reféns em nossa própria casa.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Duplipensar na história e no dia a dia


Duplipensar é um termo cunhado por George Orwell em seu livro 1984. Refere-se ao fato quando uma pessoa possui duas ideias antagônicas em mente, e faz uso das duas. No livro, há vários exemplos desse comportamento. O Ministério da Paz, que era um dos quatro ministérios que o Partido utilizava para se assegurar no poder, era preocupado com a questão da guerra. Esse ministério era o encarregado de fomentar, a todo momento, que o país encontrava-se à beira de uma guerra e, para evitar tal fim, era preciso fazer o quê? Guerrear primeiro. O Ministério da Paz promovendo guerras! Nada mais que duplipensar.

Depois de quase setenta anos, tal comportamento não mudou. Somos bombardeados diariamente com o duplipensar. Seja no judiciário, no governo, pela classe artística, pelos intelectuais midiáticos – intelligentsia –, seja pela própria mídia, seja no mundo acadêmico e até no trabalho. Enfim, o duplipensar se estabeleceu a ponto de as pessoas, tal como no livro de Orwell, acharem normal esse tipo de pensamento dúbio e antagônico.

Nosso salário é tolhido na forma de impostos – ou "roubo legalizado" –, e o Estado diz que estamos realizando “contribuições”, seja para a previdência, seja para o FGTS, seja para a conta de luz (a tal da “contribuição” para iluminação pública). Isso é duplipensar.

A elite judiciária se apresenta como a guardiã do direito, mesmo que essa guarda seja baseada numa pretensa interpretação das leis e que, em muitos casos, revela-se um descalabro para a sociedade. São togados que julgam o réu pelo crime de latrocínio, mas culpam a vítima por ter reagido ao assalto. Isso é duplipensar.

Temos um classe artística que tacha aqueles que boicotam e se indignam contra determinadas exposições de arte, envolvendo “artistas nus” com crianças, de intolerantes, fascistas, censuradores e toda sorte de adjetivos calorosos, mas quando são os mesmos artistas quem boicotam alguma marca famosa por uma propaganda que eles dizem ser “conservadora”, chamam isso de liberdade de escolha. Esses mesmos artistas que dizem lutar pelos pobres e miseráveis, mas que os tais não teriam dinheiro nem para meia-entrada em seus shows. Ingressos com valores que dariam para alimentá-los por uma semana. Artistas que buscam a fama e o sucesso, todavia transitam com seus seguranças a fim de impedirem a aproximação de populares pedindo autógrafos ou para tirarem fotos. Artistas que possuem programas de TV que dizem defender os “movimentos sociais” (dos negros, dos gays, das mulheres etc.) e que pleiteiam um mundo de mais diversidade entre as relações, embora que em seus próprios círculos de amizades, nas fotos que tiram, vemos uma “diversidade homogênea” – amigos de mesma cor e classe social. Isso é duplipensar.


Thomas Sowell, em seu livro Os Intelectuais e a Sociedade, dá uma abrangência bem maior ao conceito de intelectual que estamos acostumados a ver. Intelectual não é apenas aquele ser de gabinete, douto na leitura de inúmeros livros e que, de tempos em tempos, retira sabedoria de seus pensamentos. “Intelectuais”, no livro e nas palavras de Sowell, são aquelas “pessoas cujas ocupações profissionais operam fundamentalmente em função de ideias – falo de escritores, acadêmicos e afins.” Esses intelectuais são os que formam a opinião de ativistas sociais, de editores e jornalistas, de professores da rede pública e privada de ensino e, principalmente, de políticos sedentos por poder. Os intelectuais dizem se preocupar com os rumos da educação no país, exigem mais dinheiro público nas escolas e universidades públicas a fim de melhorar a infraestrutura dos prédios e o desempenho dos alunos, no entanto, são esses mesmos intelectuais que criticam negativamente formas de ensino não convencionais – educação domiciliar, por exemplo –, e que, por sua vez, já demonstraram ser bem mais benéficas e com maior aproveitamento para os alunos. Isso é duplipensar.

A mídia atualmente faz o mesmo papel do Ministério da Verdade, como em 1984 de Orwell. Ela se encarrega de passar apenas aquelas informações que julga ser interessante para a população e que se enquadrem com a visão dela. E com isso, os telespectadores passam a ser enganados sobre o que acontece no mundo de verdade. Chega ao ponto de jornais e redações fazerem campanhas contra fake news, embora esses mesmos jornais e redações sejam os que mais fomentam fake news. Isso é duplipensar.

No emprego público ocorre algo também bem interessante. Funcionários públicos, que recebem altos salários e gozam de estabilidade, não podem ouvir falar em privatização. Defendem até o fim que se mantenha o status quo do funcionalismo público, mesmo que façam parte de uma empresa que só dá prejuízo para a sociedade e o erário, que privatizar é coisa de lunático e toda sorte de expressões sem o mínimo de racionalidade. Contudo, esses mesmos funcionários públicos são os que mais se utilizam de serviços privados, seja uma escola ou faculdade, seja uma clínica ou hospital, seja um transporte. Enfim, nos momentos em que estão desfrutando de tais serviços privados, aproveitam para tecer comentários contra privatizações. Isso é duplipensar.

Os maiores crimes da história foram causados por ditadores que  praticavam o duplipensar. Hitler exterminou judeus com a desculpa de estar fazendo um bem para a sociedade ariana (“matar é justo”). Stalin usou as próprias reservas de alimentos dos ucranianos para matá-los de fome (Holodomor). Ele expropriou por completo as suas fontes de abastecimento. Mao fez algo semelhante na China. Fidel e Che Guevara minaram a economia cubana e, enquanto se jactavam de possuir as melhores bebidas, os melhores charutos e realizarem viagens a outros países, proporcionavam ao povo miséria e pobreza. Eles se enriqueciam através da pobreza do povo. É semelhante ao que Chávez fez com a Venezuela, assim como seu pupilo Maduro. As ditaduras sempre ocorreram por meio do duplipensar. Defende-se uma ideia, mas pratica-se o contrário daquela ideia, crendo piamente de que essa ideia, para dar certo, será preciso fazer tudo errado. O socialismo é assim.

O socialismo se arvora na pretensa busca por igualdade quando, na verdade, o que se deseja é o estabelecimento de um planejamento central, um Estado altamente controlador na figura daqueles que assim estão no poder. E essa busca por igualdade deve passar, antes de tudo, pela inviabilização da condição de liberdade do indivíduo. O socialismo requer que, para todos serem iguais, todos terão que se tornar escravos. É daí que se faz necessário um planejamento centralizador e um controle coercitivo para manter as pessoas na mesma igualdade de pobreza. Nada mais que o puro duplipensar orwelliano.